segunda-feira, 4 de abril de 2016

Festival de Teatro de Curitiba 2016 - Resumo



Um festival atípico daqueles que nunca se esperaria um resultado tão diferenciado das outras edições. O modelo da Mostra principal mudou e nele se inseriu as apresentações da Ilíada de Homero nas mãos de muitos rapsodos. Neste festival a característica principal foi de espetáculos com poucos atores em cena. E ainda o espetáculo de atores e não de montagens, salvo mostras separadas abordando temas e autores. Mas o destaque o festival ainda é do grande espetáculo com atores renomados que fazem muitos personagens e carregam o sucesso. 

Um dos espetáculos que mais gostei foi criticado por muitos por não entender sua pesquisa. Até um colega do jornalismo falou que não gostou. Mas mesmo assim fui assistir já desconfiado que este seria o meu preferido por ter uma fonte de pesquisa. Dificilmente uma peça boa foge de uma busca séria dos elementos que a compõe. O teatro europeu não é voltado para o herói do palco com sua fama televisiva. É voltado muito mais pelo resultado de um todo, não sendo idealista. 

Existe uma inteligência nos espetáculos e não é pela elitização dos trabalhos. Alguns conseguem ampliar o resultado e outros não tem nenhum talento para mostrar. Teatro de consciência é um xarope só, com um sermão filosófico de vida prática no estilo religioso. Tudo bem que o mito tem um viés religioso nos gregos. Mas o sermão de consciência foge da individuação querendo uma universalidade dos temas. E a ingenuidade dos assuntos tratados é de uma inesgotável falta de conhecimento do que estão falando. Se for palavras envolvendo uns minutos bem colocado pela capacidade de alteridade tudo bem. Mas querer dar uma hora de sermão é muita coisa. E não chegam nem perto da maiêutica. Não há debate e sim baldes de idiotices sendo despejados na nossa cabeça como se não soubéssemos. Tudo bem que tenho uma formação em filosofia e talvez para alguns até sirva. Mas não são elaborados o suficiente como se quisessem dizer algo novo que milhares de anos atrás um filósofo já abordou. E se abordar tem que ter o conhecimento destes para abranger o conteúdo.  Espero um ano que vem melhor. Este não foi muito bom. Muita falação e pouca ação em cena. 

Mateus da Lelé Bicuda