A curiosidade deste festival é saber como as coisas vão acontecer diante de um novo governo diferenciado por sua linha mais mercadológica. Já que a arte contemporânea vindo da visão de Adorno é um produto. É claro que o Brasil no geral não comporta uma proposta desta com tanta viabilidade. Os grupos sempre estão em formação e a inocência dos aprendizados é sempre o foco daqueles bem intencionados nos festivais. A artes cênicas ainda é adolescente no Brasil, e tudo gira em torno dela se falarmos de classe.
O dilema é até onde se pode estender uma crítica diante de tantos percalços nas estruturas de fomento. E por não gostar do tipo de crítica informativa não indo alem dos dados dos espetáculo e já percebendo a fragilidade que vem junto se torna difícil uma crítica mais consistente colocando em xeque certas produções.
Estes dias me falaram que preciso ter o respeito da classe artística de Curitiba. E me perguntando se eu não me preocupo com isto. Mas é claro que não me preocupo. Pelo contrário. É um prazer destronar os alter egos da classe que sobem num pedestal e as obras não acompanham.
Não respeito os medalhões de Curitiba e estes que tentam subir pedestais sem ter a qualidade necessária, pelo fato de ter pego um prêmio disputando no Sudeste que inclui Minas, São Paulo e Rio de janeiro num total de 80% de toda a produção artística do Brasil. Então a disputa é com os maiores e melhores produtores culturais do Brasil. Se tivesse disputado o Myriam Muniz pelo Sul neste caso seria uma baba.
Resolvi então fazer algo fora do procedimento com o consentimento do prêmio de fazer uma apresentação do espetáculo premiado em Curitiba. Vim para Curitiba e fiz uma boa divulgação entrando em contato com as escolas de artes cênicas e faculdade para ter um bom público. O Jornalista Paulo Camargo editor do jornal Gazeta do povo da época fez uma tremenda matéria no jornal. E qual foi o resultado? Não tive público. Vim para a minha cidade mostrar o trabalho que eu estava fazendo fora e não tive público.
Então, eu devo ter o respeito da classe curitibana, se eles não respeitam?
Já fiz andanças como trabalhando em minissérie no Rio e em pleno set de filmagem de longa metragem de produção do João Batista Andrade. Entre ter trabalhado como diretor de televisão. E me diz, qual é o respeito que ganho por aqui? Eu digo. Nenhum. Então os medalhões vão ter que escutar as reclamações das produções mal feitas deles. Argumento eu tenho para isto já que sou professor de filosofia e tenho um certo conhecimento da filosofia estética. Fica difícil respeitar quem não respeita ninguém. E todo alter ego em vista é um motivo a mais para a martelada. Se não gostam a culpa não é minha. Fizeram por merecer.
Continuo com montagem de teatro e participando como jornalista pelo prazer e já faz parte de um estilo de vida fazer arte. Não consigo parar e talvez volte a montar minhas peças que escrevi. Por enquanto estou montando Machado de Assis.
Continuo com montagem de teatro e participando como jornalista pelo prazer e já faz parte de um estilo de vida fazer arte. Não consigo parar e talvez volte a montar minhas peças que escrevi. Por enquanto estou montando Machado de Assis.
Fico por aqui.