O Festival de Teatro tem uma nova temporada nas sua 30ª edição como uma janela para uma nova jornada pós pandemia e arrastando alguns esqueletos.
É óbvio a fragilidade dos primeiros momentos de retomada com uma estrutura sem mudanças, apenas faltando a Mostra Fringe. Diante da realidade pandêmica não poderia ser diferente.
O Festival continua no formato elitizante da superestrutura com pouco proveito para a classe. Mas melhor ter do que não ter nada. A proposta são dentro de algo para aqueles se darem bem, muito melhor no financeiro do que em outra coisa. Ingressos são para um público de classe média para cima e para compensar a infraestrutura tem o teatro de rua. Para Curitiba não poderia se esperar mais do que isto numa cidade conservadora de um mundo paradisíaco, embora o teatro capengando feito Laio mancando.
Nesta linha me chamou a atenção com a cara do Festival o espetáculo "Diário de um louco". A proposta do espetáculo é "um funcionário público de existência insignificante, tem sua sanidade deteriorada gradualmente até tornar-se rei", do Fabyo Rolywer, no Espaço de Arte.
Tal espetáculo mostra a cara da linha política do Festival com o desprezo pela classe do fazer. Mesmo eles dependendo do fazer e dele alçando o paraíso ideal. O servidor público e o trabalhador nesta política de conservadores são constantemente atacados como se eles não precisassem e o financeiro que tiram dela é algo normal para as suas vidas. O teatro é o "homo faber" e os aproveitadores se aproveitam e ainda vomitam nela. Tal universalidade de extremos não consciente no povo é de uma truculência brutal.
Bom Festival. Mas eu não vou. Pedi minha credencial e pelo jeito não vou ser atendido e cada vez mais eles vão gostar menos desta pessoa que fala.
Carlos Jansson - Jornalista.
