quarta-feira, 16 de março de 2022

Festival de Teatro de Curitiba - Cara quase nova

     O Festival de Teatro tem uma nova temporada nas sua 30ª edição como uma janela para uma nova jornada pós pandemia e arrastando alguns esqueletos.

    É óbvio a fragilidade dos primeiros momentos de retomada com uma estrutura sem mudanças, apenas faltando a Mostra Fringe. Diante da realidade pandêmica não poderia ser diferente.

    O Festival continua no formato elitizante da superestrutura com pouco proveito para a classe. Mas melhor ter do que não ter nada. A proposta são dentro de algo para aqueles se darem bem, muito melhor no financeiro do que em outra coisa. Ingressos são para um público de classe média para cima e para compensar a infraestrutura tem o teatro de rua. Para Curitiba não poderia se esperar mais do que isto numa cidade conservadora de um mundo paradisíaco, embora o teatro capengando feito Laio mancando.

Nesta linha me chamou a atenção com a cara do Festival o espetáculo "Diário de um louco". A proposta do espetáculo é "um funcionário público de existência insignificante, tem sua sanidade deteriorada gradualmente até tornar-se rei", do Fabyo Rolywer, no Espaço de Arte. 

Tal espetáculo mostra a cara da linha política do Festival com o desprezo pela classe do fazer. Mesmo eles dependendo do fazer e dele alçando o paraíso ideal. O servidor público e o trabalhador nesta política de conservadores são constantemente atacados como se eles não precisassem e o financeiro que tiram dela é algo normal para as suas vidas. O teatro é o "homo faber" e os aproveitadores se aproveitam e ainda vomitam nela. Tal universalidade de extremos não consciente no povo é de uma truculência brutal.

Bom Festival. Mas eu não vou. Pedi minha credencial e pelo jeito não vou ser atendido e cada vez mais eles vão gostar menos desta pessoa que fala.

Carlos Jansson - Jornalista.  

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

O Estranho na Onda

 A crise brasileira revelou um outro mundo que até então a gente não conhecia. Como professor de história no cotidiano escolar falando sobre os estados totalitários extremistas ficava com uma sensação de dúvida se era possível tais acontecimentos envolvendo o senso prático das pessoas envolvidas. E quando a crise no Brasil impulsionada por estes extremistas do golpe começaram a mostrar as mangas foi um choque. Era difícil de acreditar na materialidade dos feitos. 

Hoje já entrou numa normalidade sem deixar de chocar é claro. O agir deles tem um algo não perceptivo. um egoísmo próprio do ser humano modificado num caminho paralelo de todos contra todos. Um estranhamento convicto com um ruído cheio de maldades. Aquela certeza como se um lado do cérebro não funcionasse. Não dá para desgostar e nem gostar da pessoa, ela só é um ser que não caiu bem no mundo. 

O pior é quando o sujeito tem um poder e o seu agir tem sentido bem definido e objetivo, mesmo sabendo que não agrada e de repente muda o humor na mídia como se não fosse o ser estranho. Gostaria de saber se este tipo de personagem bem definido era uma propriedade do poder totalitário. Saber como era a Alemanha naquela época a gente já sabe vivenciando. Será que a ruptura dos intelectuais combatendo o estado totalitário era o mesmo sentimento que temos hoje?

Também é possível perceber a "banalidade do mal" deste poder diante da pandemia. Caramba, e não vejo ninguém falando sobre estas coincidências. É como se o formato viesse pronto e estamos nela e ninguém consegue perceber por estar entorpecido. 

Luz gente, a gente precisa de luz. Só assim vamos resolver a patologia que tomou conta. E não estou falando da pandemia. A amargura no peito por perceber tudo isto tem que ser curada. 

Romance histórico da corrupção

 As vezes tenho vontade de escrever um romance policial do tipo desvendando o que seja realmente a nossa corrupção como uma forma de entrar na matrix do submundo. A verdade nunca brota já que o simulacro é o desenho estético de um mundo ocidental sem ser o sentimento de Schopenhauer.


É possível desvendar artimanhas não materializadas fazendo associações que se não reveladas levam a um mau muito maior. O mau existe e o que não existe é o bem. Numa visada de mundo se percebe a deterioração das coisas, num plano de ilusão de que o possível é possível. 


Me lembrou de um suicídio, entre os suicídios, que de razão estão adequados. Como aquele policial militar no desafio do poder maior de uma tia no alto da justiça, tia do poder e um simples ser no mundo atordoado com os feitos dos aeroportos nas fazendas e helicópteros de narcotraficantes e hoje um time de futebol quebrado sem ter os meios de esquentar valores. E tudo não vindo a tona virou o país de ponta cabeça de servos e escravos sucumbindo na noção de mundo que permanece. Somos escravos da matrix que aparenta e não se revela. Os idiotas de preto não conseguem ser protagonistas de milésimos de um acerto. São tão dopados quanto um que consumiu no anonimato.


Por isto que acho que deveria fazer um romance de um mundo que não existe. Um mundo paralelo que a verdadeira maldade consumiu todo o paralelo.  

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Festival de Teatro de Curitiba 2020 - Que as luzes iluminem

O ano de 2020 é atípico para todo mundo nas artes diante de uma interferência abrupta do governo na cultura. Os cortes foram um corte na carne da arte e sem uma motivação já que a industria cultural é parte da imagem de um país agregado ao turismo e outros. Mas o próprio Festival de Teatro de Curitiba não pode reclamar diante daqueles que apoiou nestas mudanças. O próprio modelo liberal é que derrota o liberal e suas incansáveis satisfações em menosprezar a infraestrutura como pano de fundo valores religiosos e tradicionais numa espécie de patamar acima de tudo.

O Festival sentiu e a quantidade de espetáculos até que não se alterou muito diante da produção local e artistas de São Paulo, Rio de Janeiro com boa presença, Minas Gerais, Espirito Santo com a Mostra Cachoeiro do Itapemirim e diminuiu bastante os grupos do nordeste. Senti falta das peças do Treat Serpa, mas as escolas de teatro estão marcando presença.
Percebo que na mostra principal sentiu com a rasteira do governo nos incentivos culturais e assim a presença não é grande.

Talvez com um Festival diante do condicionamento acabe se transformando em um manifesto pelas artes e o próprio Festival restabeleça o seu vigor e empatia não deixando de morrer aquilo que já é um vício para a maioria de seus participantes com presença garantida em cada edição. Que seja uma festa e os valores sejam de um espírito de criação.

O site pelo jeito mudou e agora foi disponibilizado o guia do festival: https://fringe.com.br/guia/FTC-GUIA-2020.pdf

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Festival de Teatro de Curitiba 2020


Todos na espera das novidades do 29ª edição do Festival de Teatro de Curitiba e o Fringe. Muitos já angustiado atrás das inscrições e como sempre o festival tem a política do silêncio até pipocar no site oficial do Festival o link de inscrição. E isto provavelmente vai acontecer nos próximos dias contando que todos os anos é o mesmo "modus operandi" sem muitas mudanças.

A maioria dos nomes da cena brasileira nas artes passaram pelo festival em alguma oportunidade. Não dá para tirar o valor democrático dela no festival acontecendo e nem pensar como o festival se estrutura. Apenas temos o festival num sentido reducional filosófico. E isto por si só já basta num Brasil polarizado de políticas extremistas e contenções de investimento em cultura. Muitos daqueles que nadavam em águas favorecidas contribuíram para um estado de coisas que agora olham para trás e se arrependem. Aquilo que prometeram de melhorias não conseguiram dar um mínimo do passado no nosso instante. E é deles que fazem a parte da superestrutura e simulacro que nos mantem vivos entre os desaparecidos.

Que venha o festival e as festas das artes com artistas embriagados com Dionísio.

Carlos Jansson

"Lição de Botânica" do Studio Cine Teatral Carlos Jansson

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O orgulho do Festival de Teatro de Curitiba



Hoje encontrei uma postagem de alguém orgulhoso de participar por 3 anos seguidos na assessoria de imprensa do Festival. Mas qual é o objeto do orgulho? Qual é o valor incutido numa profissão tão fragilizada e ao mesmo tempo ostentando uma glória. O jornalista carrega consigo o perfil do personagem na memória daquele que circula na grande cidade e abastece a todos na sua comunicação. Só que nos tempos atuais isto é tão rudimentar se pensar o profissional na sua individualidade no meio desta massa. 

O festival cumpre um papel. Mas que papel é este? Tem seus patrocinadores. Mas é algo eficiente para se ter um patrocinador? A publicidade anda tão rudimentar e a economia tão em baixa sendo difícil imaginar um ganho. A parte criativa do festival aparenta estar mais no envolvimento criativo da propaganda já que ela recebe enquanto os artistas envolvidos no palco do festival fazem apenas por anseio de alguma glória. Isto em plena concepção capitalistas das cidades. 

E as cidades como Curitiba o que virou? A própria rua das flores com suas lojas requintadas deixaram de ser e agora substituídas por lojas com produtos de valores irrisórios num quase camelódromo. Se vê um tanto de parques verdes como se fosse outro mundo que não Curitiba. Os vazios se apresentam sem a completude estética nas pessoas que já não esperam o brilho de se ver rodando pelas ruas atrás de alguma coisa que enche o pulmão de muitas cores e novidades de vitrines. Um vazio prolongado sem esperança que permeia o intimo daqueles que já viveram do fascínio das calçadas. 

Os tempos são de uma tristeza e atrás de toda estrutura existe um ar de enganação de algum gordo por trás criando vantagens e tudo ao redor dele é tão nada.  

segunda-feira, 4 de março de 2019

Festival de Teatro de Curitiba 2019 - Fringe 2019


A atualidade foi marcada por um stress num breque cultural no Brasil com a entrada da extrema direita. Direita que vinha se aproveitando nos seus "modus operandi" na proporção que a Lei Rouanet serve a eles como pinga serve um bêbado. Se discutiu o fim da lei, só o que eles não falaram foi do corte nas verbas do fundo cultural sendo este a melhor alternativa para o artista mais carente. Daqueles sem o vínculo com as grandes empresas que precisam de altas sabedorias nos tramites econômicos e de impostos. Acabaram com os fundos e criaram uma polêmica com a Lei Rouanet que não existe. 

Os grandes eventos como o Festival de Teatro de Curitiba sempre esteve agarrado aos patrocínios dos bancos na habilidade do seu gestor. Sabe fazer isto muito bem e é o trunfo que faz do festival o seu sucesso. Mas, com o declínio de um capitalismo liberal que tira o dinheiro do mercado pagando mal os trabalhadores é visível que não vai poder contar com pagadores de ingressos na bilheteria como antes. Não que isto faça alguma diferença para os gestores já que estes tem o patrocínio garantido pela Lei Rouanet. É uma das broncas do passado com o cinema que aprovavam um orçamento captado e não se preocupavam se tinha alguém no cinema assistindo o filme deles. 

Claro que na Mostra principal feito em grandes teatros e com atores globais as casas vão estar sempre cheias. O Curitibano prestigia já que suas rendas são as melhores do Brasil. Só que aqueles artistas que estão nascendo do berço da arte se encontram num beco sem saída. 
O presente num caminho mais Hegeliano não demonstra que seu fator histórico de tantos anos tenha realmente contribuído para um Brasil cultural mais elevado. Vamos dizer que continuamos na mesma e agora com a extrema direita e as direitas no comando o artista passa a ser marginalizado nas periferias na tentativa de um mundo melhor. Um Brasil estagnado sempre numa mediocridade com seu sangue sugado por aqueles que se dizem bem intencionados e continuam vampiros investindo na pobreza deste pais para que eles brilhem nas suas superações. 

A conclusão é que dificilmente muda alguma coisa no Festival de Teatro de Curitiba com seus patrocínios milionários. O que muda é para o pequeno artista que vai penar nele para conseguir uns trocos, investindo numa fonte seca.