quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

O Estranho na Onda

 A crise brasileira revelou um outro mundo que até então a gente não conhecia. Como professor de história no cotidiano escolar falando sobre os estados totalitários extremistas ficava com uma sensação de dúvida se era possível tais acontecimentos envolvendo o senso prático das pessoas envolvidas. E quando a crise no Brasil impulsionada por estes extremistas do golpe começaram a mostrar as mangas foi um choque. Era difícil de acreditar na materialidade dos feitos. 

Hoje já entrou numa normalidade sem deixar de chocar é claro. O agir deles tem um algo não perceptivo. um egoísmo próprio do ser humano modificado num caminho paralelo de todos contra todos. Um estranhamento convicto com um ruído cheio de maldades. Aquela certeza como se um lado do cérebro não funcionasse. Não dá para desgostar e nem gostar da pessoa, ela só é um ser que não caiu bem no mundo. 

O pior é quando o sujeito tem um poder e o seu agir tem sentido bem definido e objetivo, mesmo sabendo que não agrada e de repente muda o humor na mídia como se não fosse o ser estranho. Gostaria de saber se este tipo de personagem bem definido era uma propriedade do poder totalitário. Saber como era a Alemanha naquela época a gente já sabe vivenciando. Será que a ruptura dos intelectuais combatendo o estado totalitário era o mesmo sentimento que temos hoje?

Também é possível perceber a "banalidade do mal" deste poder diante da pandemia. Caramba, e não vejo ninguém falando sobre estas coincidências. É como se o formato viesse pronto e estamos nela e ninguém consegue perceber por estar entorpecido. 

Luz gente, a gente precisa de luz. Só assim vamos resolver a patologia que tomou conta. E não estou falando da pandemia. A amargura no peito por perceber tudo isto tem que ser curada. 

Romance histórico da corrupção

 As vezes tenho vontade de escrever um romance policial do tipo desvendando o que seja realmente a nossa corrupção como uma forma de entrar na matrix do submundo. A verdade nunca brota já que o simulacro é o desenho estético de um mundo ocidental sem ser o sentimento de Schopenhauer.


É possível desvendar artimanhas não materializadas fazendo associações que se não reveladas levam a um mau muito maior. O mau existe e o que não existe é o bem. Numa visada de mundo se percebe a deterioração das coisas, num plano de ilusão de que o possível é possível. 


Me lembrou de um suicídio, entre os suicídios, que de razão estão adequados. Como aquele policial militar no desafio do poder maior de uma tia no alto da justiça, tia do poder e um simples ser no mundo atordoado com os feitos dos aeroportos nas fazendas e helicópteros de narcotraficantes e hoje um time de futebol quebrado sem ter os meios de esquentar valores. E tudo não vindo a tona virou o país de ponta cabeça de servos e escravos sucumbindo na noção de mundo que permanece. Somos escravos da matrix que aparenta e não se revela. Os idiotas de preto não conseguem ser protagonistas de milésimos de um acerto. São tão dopados quanto um que consumiu no anonimato.


Por isto que acho que deveria fazer um romance de um mundo que não existe. Um mundo paralelo que a verdadeira maldade consumiu todo o paralelo.