O Festival vem se inserindo em novos tempos e nada mais razoável diante de um Brasil pegando fogo. Mesmo assim a quantidade de grupos e peças inscritos é muito grande. A estrutura é boa e permanente com as captações pelo incentivo de renúncia fiscal já fixados com empresas de grande porte. Então a abrangência de mídia e publicidade ganham vulto no sentido de fazer o Festival acontecer.
Claro que em tudo que vai bem sempre tem aquelas coisas que não agradam a todos, como por exemplo uma reportagem a meia hora atrás da RPC da Globo em Curitiba fazendo uma matéria sobre o Festival de Teatro de Curitiba se iniciando. A mensagem inicial abrange a comunidade artísticas e até cita num momento que os ensaios de muitos são nos cantinhos de casa. Mas logo em seguida vem todos os medalhões dos festivais e não prestigia os novos e a diversidade das obras sendo apresentadas.
Durante os festivais é normal algumas correntes fortes do teatro de Curitiba carregar a mídia como se ela sozinha estivesse acontecendo no festival. E quase sempre as peças lembradas nas edições não são de Curitiba. São aqueles aventureiros, lembrando os filmes do meu professor Walter Lima Torres no curso de Dramaturgia da disciplina de Letras, de grupos andando pela Europa a caminho de um festival nos tempos da retomada do teatro. Eles sim ganham pelo espírito teatral na grande aventura de um país continental.
Espero conquistar minha credencial de jornalista que estou vendo que vai ser difícil e diferente de épocas que os jornalistas ganhavam lembrancinhas personalizadas do Festival. Hoje, até o acesso a internet eles questionam. As classes no Brasil estão passando por uma fase de descréditos. As pessoas já não são vistas pelo seu valor num mundo estético de produtos virtualizados no simulacro das cidades. Há uma falta de empatia institucional da nova época necessária na demonstração de poder para se ter valor. É como se um deus reinasse entre os povos. É como se as empresas não dependessem mais dos seus para existirem. A frieza e o distanciamento é a essência delas existirem na postura de poder. Novos tempos e infelizmente nada bom para os cosmopolitas.
Boa sorte a todos nesta aventura de um evento no meio do Brasil de uma arte que deve resistir na possibilidade de inúmeros eventos. Pelo menos é isto que quero no meu "Ciclo Machado de Assis" com peças "Janela para Casmurro" no Festival e montando a "Lição de Botânica" e outra, viajando pelo Brasil. Atualizando e dando vida aos personagens no palco com uma literatura atuante de acesso por sentidos alem da leitura.
Janela para Casmurro
04 e 05 de abril no SEEC - Auditório Brasílio Itiberê
Rua Cruz Machado, 138
Classificação Livre.
![]() |
| Galeria Julio Moreira - Largo da Ordem - Curitiba |
