sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O filósofo e o Teatro


Talvez o que vou falar aqui não seja algo que deva dizer. Da medo das reações num sentido de perseguição por um se fazer diferente não sendo tão diferente. É normal avaliações de méritos neste meio descredenciando aqueles que não falam a mesma língua ou seus sistemas dogmáticos. Uma ordem que nem é tão valorizada assim destes Platônicos querendo um poder na cidade quando ela vira as costas. Mas há um cosmo particular envolto em discurso nisto tudo. E aqui vai o que acho. E achar qualquer um pode achar. Não estou falando didaticamente, embora a crítica vai para a didática. 

As vezes penso na instrumentalização da didática daqueles que nasceram externalizados, sentido sociológico, prontos para ascender a continuidade de uma metafísica, querendo não ser. Mesmo os céticos que não consegue se desvincilhar e se incorporar ao prático. Não vivenciaram a um prático cheio de polifonia e agora se colocam como senhores de uma ordem. Não tiveram níveis para dar a coloração necessária na hora do discurso e assim não mantendo uma sintonia daqueles que renascem da fênix. São pouco aproveitáveis as suas ações dogmáticas mesmo sendo céticos. Com céticos que são verdadeiras aberrações na ordem do discurso. A maioridade não vem deles. Eles não sabem moldar este tipo de coisa. Transitam e transitam e já são a própria epoché. Mas uma que ninguém quer para seu cosmo. Verdadeira doença filosófica que não consegue nem ser instrumentalista. Não passam a ação filosófica com sabor de mel. Tem muita gente com braços abertos sedentos deste carinho e poucos para dar o abraço. São poucos mesmo para não dizer quase nenhum.

Talvez por a gente escolher sempre um. Mas isto já é outro papo. A maioria escolheu Jesus Cristo e dá-lhe religião.   

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Selvática - Um delírio


Selvática é um grupo teatral Curitibana. Um grupo reinvenando o mundo como delírio fugindo dos padrões estabelecidos em racionalidades insanas. Buscando uma outra fonte no inconsciente quebrando abruptamente os efeitos acomodados das cores, do gosto e da sexualidade. 

A cada espetáculo é uma experiência nova. Se atiram no chão. Tiram a roupa e se beijam loucamente como coniventes com as forças do desejo. Não tem tempo ruim na plataforma estabelecida se mantendo a anus na mesma linha. Mesmo desvirginados quando penetram de forma truculenta no seus inconscientes na busca do mau que terrão que pagar como justus. Mas como Giges continuam reinventando seus mundos. 

Brincam de ser palhaços. Brincam de ser crianças. Brincam de ser artistas. Brincam de ser exóticos. Brincam de ser eles mesmos. Uma estética do imoderado, do ruído. É fácil de encontrar eles neste pórtico. É fácil de encontrar eles por serem definidos na penetração daquilo que o comum vê como paredes intransponíveis. Eles racharam o muro e o seu caminho se abriu com o vácuo que suga. Abriu-se um universo do esgotamento niilístico na forma plástica, moderna ou qualquer forma doce. Vai subir degraus sem degraus e agarrar a corda que te enforca. Passe longe ou passe perto. Cuidado. Eles tem um pouco do satânico. E a mamãe pode não deixar. 

terça-feira, 4 de julho de 2017

O Paradoxo de Capitu


Para se fazer e conhecer o Machado de Assis se deve penetrar no seu mundo histórico dos tempos do Rio de Janeiro e as influências que nela fazia a cidade cosmopolita com vontade de ser respeitada pelo mundo como uma Atenas, tupiniquim. Nunca foi algo tão grandioso assim quando se pensa na cultura de um povo que precisa de referência. Se fala de beleza mas se pensa na vaidade e riqueza destas artificiais que levam ao ressentimento humano e a depressão niilista. E nisto o Machado de Assis inaugura uma atmosfera dostoivsquiana no Brasil. 

Eram épocas de influência francesa na estética cultural com suas cortesãs no estilo dos cartazes de Toulouse-Lautrec de mulheres lindas desfilando feminilidade estonteante e desejadas e invejadas por outras mulheres. De vida fácil e mesmo assim idealizadas. Uma maneira de viver com arte superando a moral do sentido padrão de pudor. Eram as putas desfilando em passarelas toda iluminada desafiando os defeitos nas imposições com a coragem de ser feliz no instante. Um desafio estabelecido quando se constata que nossos artistas globais se relacionam com muita facilidade não se prendendo a critérios da sociedade. Neste vai e vem caótico das cidades contemporâneas é normal as separações e os novos encontros nesta ansiedade de viver. 

Os "olhos de ressaca" da Capitu se encaixa no novo realismo por perceber os novos tempos das incertezas e da liberdade feminina. Ela agora tem opção de escolhas subjetivas, lembrando que a época era o pai que escolhia o marido para a filha. E a coragem dela é invejada por andar a frente do seu tempo. Atirando pedras nela quando queriam atirar flores por perceber e investir na sua natureza feminina. Tanto que uma global hoje é desejada e tudo que ela usa é copiado. Embora nas peças que estou fazendo as Capitus tenham uma conotação mais de safadas mesmo. Mas pretendo dar este ar da graça para elas valorizando a sua beleza natural. E quem assiste sempre aposta nelas porque querem a vitória delas. O pecado é o diferente necessário senão não teria religião e divas da música e novelas. Ser mãe de família com todo dia o mesmo arrozinho virou um saco. Não tem arte de viver e sem purpurina. Um ciclo de vida muito previsível num mundo venatório. 

Lembrando que Artur Azevedo também idealizava na sua literatura teatral as cortesãs do Rio de Janeiro. A cidade das praias e muito sol com mulheres bonitas.

Chacrinha e as Gretchen

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Fechamento de Borderô


Este artigo é uma análise do que seja o Fringe do Festival de Teatro de Curitiba, em épocas de crise é claro. Mas aparenta ser uma constante. E a necessidade de se ter uma visão mais realista de muitos que vem por uma expectativa equivocada e acaba se decepcionando. E isto não é novidade nas edições do festival já que acompanho a décadas. O resumo da minha defesa é no resultado do espetáculo na aventura de vir para Curitiba e o que esperar dela. A primeira coisa que não se deve esperar dela é lucro e sim um respaldo para mostrar seu trabalho. O único prêmio é ter o nome do festival em seu empreendimento e ter passado pelo mito de que Curitiba tem um público exigente. Isto se você tiver público. Já fui o único público em muitos trabalhos. 



Colei o "fechamento de Borderô" para que possam ter a visão realista. E nele podem ver que tem um público. E foi muito bom brincar no palco. Foi um trabalho ótimo realizado pelos meus atores de uma integridade de obra. Mas este artigo não vai falar sobre isto e sim sobre a questão financeira que é a parte frágil da iniciativa:
Como podem ver a parte da administração e os impostos atingiram a base 50% do total de um valor de R$145,25 + R$104,00 da inscrição. Um lucro líquido de R$147,75 para dividir para meu elenco. E considero isto uma fragilidade para a classe artística mais direcionada a cênicas. Não pelo trabalho feito e sim pela expectativa do artista que quer seu trabalho reconhecido tanto no palco como na caixa registradora. São muitos impostos inseridos nisto como as taxas cobradas em edifícios públicos e mais de 50% impostos de tudo que você paga no Brasil, até o teu alimento. Seria uma folga e um fomento a isenção das leis passada para a cultura. Pense em hospedagem e transporte para Curitiba. Com certeza tiveram prejuízo. E se olhar vai ver que tive público razoável num lucro líquido deste. 

As vezes fico com a sensação que fomos consumidos pela superestrutura. Tudo que é feito vai para ela e pouco sobra para a infraestrutura. Este parece um caso nítido de que um projeto Rouanet acaba dando prejuízo para o artista que se desloca para Curitiba. E desconfio que até os grupos da "Mostra" principal acabam contabilizando pouco lucro e dignidade financeira. 

O que aparenta ser uma reclamação neste artigo, não é reclamação e sim o olhar que o artista deve ter sobre a expectativa dele no festival. A própria superestrutura tem orgulho de mostrar o "fim da arte" no teórico a partir da visão econômica. Somos resistente a isto tentando fazer arte e brincar no mundo. O que podemos ter de dignidade é usufruir da infraestrutura que nos dá oportunidade de mostrar trabalhos. Mas nunca pensar que podemos partilhar algo como eles. É necessário ter uma concepção mais realista do que é ser ator no Brasil. E com tendência a piorar nestes novos governos já que os serviços públicos diminuem e os impostos não. 

Alguns podem pensar; que jornalista raivoso! Felizmente foi isto que me levou ao jornalismo. Tento ser claro dentro daquilo que estou pesquisando. Não sou amigo e nem inimigo do Festival e vou ficar muito sentido se um dia o festival deixar de acontecer. E no próximo vou estar com muito mais trabalhos nele. Sou artista que gosto de brincar no mundo e não espero dignidade deles com a boa vontade deles. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Terreno Baldio


Na edição passada ou retrasada o espetáculo Lugar de Ser Inútil foi uma grata surpresa numa pesquisa do poeta Manoel de Barros que se foi estes dias. Deve ter ido como passarinho e deixou uma influência gratificante com a atuação do ator Paulo Chierentini e Rana Moscheta no seu grupo Olho Rasteiro. Uma obra daquela que se sente o gosto de um gourmet num belo restaurante de Paris com todo o preenchimento do peito. Claro que nunca fui para Paris. Mas é daqueles gostos Kantiano esbarrado na sublimação da sutileza descendo como plumas até chegar ao chão. 

Estes dois viraram figuras Curitibanas encontrados pelas esquinas e encruzilhadas. Não sei se são casados, namorados e irmãos. Irmãos não são porque os nomes são diferenciados. Um dia vejo os dois e me pareceu discutindo e no outro concordando em fazer alguma coisa. Um dia ela me passa na frente e atravessa a rua correndo. São nervos pulsantes de obras como o Terreno Baldio entre seus colegas de elenco num lúdico para o mundo das crianças. Um desenvolvimento sério de transformar uma imagem como jogo do corpo e os conflitos de crianças em plena brincadeira. Admiro os dois pela vontade de pesquisa com três espetáculos de rua andarilhando entre uma e outra pela cidade. São grandes atuações e a vontade para fazer os personagem bem definidos. Vale a pena ver os dois determinados e brincando juntos.

Peça Terreno Baldio - Largo da Ordem - Fringe 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - modus operandi


O teatro de rua do Festival de Teatro de Curitiba é uma das práticas que envolve artistas idealistas e com vontade de produzir uma imaginação rica na estética da arte. E nele se encontra verdadeiras preciosidades dentro de uma estrutura que o Festival proporciona. 
Diante de uma iniciativa frustrada de muitos quiosques de empresas (comercial) no Memorial onde se encontra o QG do Festival deveriam consagrar pelo menos uma apresentação destes grupos fora a pauta de apresentações em vários locais de Curitiba. Poderia ser um projeto mais organizado neste sentido. Quando se procura o Festival (público e artistas) se vai a este local e nele deve haver uma energia positiva com artistas manifestando sua arte. Sem quiosques de empresas e sem artistas brilhando no local fica frio, como Curitiba. Eles se apresentam lá só quando chove e aquilo lá vira uma festa. As pessoas se comunicam mais. E se o Festival perde o seu caráter de festa então tudo vira uma merda. Se deparar com a organização do fringe lá é brochante. Embora queiram aparentar simpáticos, nunca tiveram a empatia necessária numa tentativa de hierarquização vaidosa. Não proporcionam a energia daqueles que investem suas potências artísticas no Festival. O resultado informativo é muito pouco pela demanda de público que anda cercando o evento. Cartazes no local em épocas anteriores era ruidoso mas ao mesmo tempo era ilustrativo e de um colorido necessário aos olhos do Festival. No momento a energia é de um funeral. 

O devir do Festival é de um buraco. A cada ano se cava um metro a mais. A orientação deveria de ser uma estabilização de energia que nela brotava flores. A cada edição algo a menos acontece. No jornalismo que se encontrava no 3º andar era um ponto de encontro com entrevistas e acontecimentos. Eles se acabaram. Só tem uma gente ruidosa de procedimentos. O ano passado foi sepultado aquilo que me fazia subir com satisfação a este andar que era o suporte que ofereciam. Eram vários computadores acorrentados a mesa para uso e fui usar um e acabei sendo agredido pela iniciativa. Era um final de tarde quando peguei um convite de uma peça e precisava entrar em contato com uma pessoa convidando para ir junto e o notebook acorrentado não estava sendo usado na mesa. Enquanto o Miguel Arcanjo estava a minha frente com dois deles abertos e usando. Neste ano nem teve mesa. E os espaços de entrevistas se tornaram depósitos.  

Um status de curadoria que vai por uma elitização daninha não alcançando o espírito artístico, de uma filosofia do estético negativa. Ponto chave para o acontecimento do evento. E os indícios são reveladores como o equivoco de colocar um teatro de rua com perna de pau num local sem pé direito o suficiente num terminal de ônibus devido a cobertura e sem área livre. O Mirar e Migrar que lembrou o vulto de obra que foi o Pereira de Londrina em edições passadas. Tremendamente contagiante, prejudicado neste local. Com 26 edições do festival e ainda não conseguiram aprender com o evento. Ou este administrador se agiliza ou ele vai morrer na praia com um grande dano para está classe artística. O resultado financeiro vem de uma viabilidade de inteligência. Que se mantenha a tradição no objetivo das 100 edições. Mas para isto é preciso mudar de negativo para positivo. Muitas das coisas que abortaram não eram tão negativos e faziam o ruído energético do festival. Muitas invencionices de curadoria elitizada sepulta o festival e dá adeus a Dionísio no seu instinto embriagado.

Foto: Carlos Jansson - Teatro de rua do FTC 2017 - Terminal Santa Felicidade 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Guia do Festival


Uma das coisas que vem atrapalhando uma melhor dinâmica no Festival é o tal do "Guia Oficial". Por alguma razão resolveram tirar o melhor orientador de espetáculos dentro do evento que era um roteiro das peças durante os dias no guia. Por exemplo, no dia 28/03 tinha todos os espetáculos especificando os horários e locais. 
Sempre fui um que tendo o Guia nas mãos tentava organizar as peças que iria assistir antes de começar o Festival. Mas chegando os dias no Festival verificava que aquilo não dava certo. Tinha que escolher no dia. Isto para quem quer assistir a maior quantidade e peças possíveis. Que em várias edições chequei a assistir médias de 50 peças a cada edição. Basta ver a quantidade de vídeos que fiz no canal Carlos Jansson do Youtube, e material que tenho guardado das edições em MiniDv não editado, que hoje o formato é superado e em breve o destino é o lixo.
É claro que aqui estou falando destes que fazem turismo cultural e vem para o Festival querendo assistir muitos espetáculos. 

O Guia se tornou algo desnecessário. Tanto que deve ter sobrado mais da metade deles sem que as pessoas procurassem o tal. E em outras edições faltava guia. Constatação óbvia que a estrutura do festival por alguma razão não liga. Basta receber o dinheiro e o resultado é algo insignificante. Próprio daqueles que tem uma cultura já voltada para um resultado da produção cultural em vias econômicas. Mas o sentimento é visto e a parte espiritual do produto sacoleja quando a paranoia é muito intensa.  

Alguns se beneficiaram do processo e é visível quem se deu bem. Produções locais ganharam vultos já que o trabalho de divulgação daqueles que vem de fora não tem a mesma oportunidade para estabelecer um público em suas apresentações. Se olhar para o guia é um monte de peça e ninguém vai ficar olhando o guia todo o tempo todo para achar uma peça que mais lhe caia bem. Tem gente que faz esta seleção para assistir uma quantidade de peças mínimas. Mas aqueles que gostam de estar correndo no festival atrás das peças, furou. E assim a dinâmica do QG no Memorial de pessoas circulando diminuiu. E tudo ficou frio como Curitiba. 


Foto: Paulo Jaques - Peça Janela para Casmurro - Fringe 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Pequenas Ilhas


O mundo estético vem mudando drasticamente nos olhares cosmopolitanos e de simulacros numa redoma de imagens. As tecnologias vem pulverizando o planeta numa espécie de democratização da coisificidade dos produtos sem o seu valor no entusiasmo da novidade. Nada mais impressiona e tudo se tornou acessível num capitalismo em decadência. O homem e a máquina passam por um dilema. E o virtual é tão acessível que leva a desvalorização de mídias que antes eram grandes estrelas do cotidiano. 

Não se pode esperar nada que uma mudança no fazer artístico. O homem fazendo entra neste globo de coisas. O virtual e a comunicação andam juntas e a atualização do aspecto tecnológico e econômico das pessoas fazem parte deste evento numa espécie de náusea prevalecendo. Muitos meios de comunicação estão sendo derrotados e outros aparecendo. Um exemplo disto é o jornalismo impresso com o ditos blogs como eu. O futuro é nosso na especialidade de dedicação. Até ontem éramos apenas coadjuvantes e hoje não mais. 

Mas o meu papo hoje com a tal introdução é para mostrar algumas coisas que a percepção atenta ronda o tal evento FTC de teatro no Brasil. Por muito tempo em posse da minha credencial de jornalista no Festival andava feito um maluco entre peças e mais peças. Um observador do tipo de fora olhando dentro nos moldes dos primeiros cientista sociais. Um vulto de coisas acontecendo. 
E neste momento decidi por uma ética não sei de onde não pegar minha credencial já que estava com peça de teatro. Até mandei email pedindo mas não fui atrás pegar. E a coisa de dentro, fazendo parte do dentro é de uma solidão tremenda. Não houve uma interação entre os grupos na sua quantidade de centenas. Não vi nenhum grupo na minha peça e com isto não me deu vontade de ver nada de outros grupos. Apenas de alguns amigos parceiros que alguns nem são tão parceiros assim. Mas tenho grupos parceiros e gente que patrocinou e apoiou muito nossa iniciativa. A questão aqui não é pontual e sim geral. 

É claro que o festival se preocupou e teve algumas coisas que foi neste sentido. E pode ter acontecido para alguns de forma diferente. Todo mundo é diferente e vai muito de como estava no mundo. Mas para quem anda atento e buscando coisas no meio de forma intensa talvez o grau de acontecimentos no festival da coisa que estou falando foi menor do que em outras edições. As vezes penso que o festival vai acabar e torcendo para que isto não aconteça. O silêncio do Festival as vezes leva a pensar isto. É claro que isto depende do proponente na sua continuidade financeira que nisto aparenta ser bem ágil. 

FOTO: Paulo Jaques - Janela para Casmurro - Festival de Teatro de Curitiba
  

sexta-feira, 24 de março de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 Afunilando


O Festival vem se inserindo em novos tempos e nada mais razoável diante de um Brasil pegando fogo. Mesmo assim a quantidade de grupos e peças inscritos é muito grande. A estrutura é boa e permanente com as captações pelo incentivo de renúncia fiscal já fixados com empresas de grande porte. Então a abrangência de mídia e publicidade ganham vulto no sentido de fazer o Festival acontecer. 

Claro que em tudo que vai bem sempre tem aquelas coisas que não agradam a todos, como por exemplo uma reportagem a meia hora atrás da RPC da Globo em Curitiba fazendo uma matéria sobre o Festival de Teatro de Curitiba se iniciando. A mensagem inicial abrange a comunidade artísticas e até cita num momento que os ensaios de muitos são nos cantinhos de casa. Mas logo em seguida vem todos os medalhões dos festivais e não prestigia os novos e a diversidade das obras sendo apresentadas. 

Durante os festivais é normal algumas correntes fortes do teatro de Curitiba carregar a mídia como se ela sozinha estivesse acontecendo no festival. E quase sempre as peças lembradas nas edições não são de Curitiba. São aqueles aventureiros, lembrando os filmes do meu professor Walter Lima Torres no curso de Dramaturgia da disciplina de Letras, de grupos andando pela Europa a caminho de um festival nos tempos da retomada do teatro. Eles sim ganham pelo espírito teatral na grande aventura de um país continental. 

Espero conquistar minha credencial de jornalista que estou vendo que vai ser difícil e diferente de épocas que os jornalistas ganhavam lembrancinhas personalizadas do Festival. Hoje, até o acesso a internet eles questionam. As classes no Brasil estão passando por uma fase de descréditos. As pessoas já não são vistas pelo seu valor num mundo estético de produtos virtualizados no simulacro das cidades. Há uma falta de empatia institucional da nova época necessária na demonstração de poder para se ter valor. É como se um deus reinasse entre os povos. É como se as empresas não dependessem mais dos seus para existirem. A frieza e o distanciamento é a essência delas existirem na postura de poder. Novos tempos e infelizmente nada bom para os cosmopolitas. 

Boa sorte a todos nesta aventura de um evento no meio do Brasil de uma arte que deve resistir na possibilidade de inúmeros eventos. Pelo menos é isto que quero no meu "Ciclo Machado de Assis" com peças "Janela para Casmurro" no Festival e montando a "Lição de Botânica" e outra, viajando pelo Brasil. Atualizando e dando vida aos personagens no palco com uma literatura atuante de acesso por sentidos alem da leitura. 

Janela para Casmurro 
04 e 05 de abril no SEEC - Auditório Brasílio Itiberê
Rua Cruz Machado, 138
Classificação Livre. 


Galeria Julio Moreira - Largo da Ordem - Curitiba

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Desocultação do Machado de Assis


O resultado da minha obra trabalhando com Machado de Assis já inserindo um conceito sobre seus feitos ligados aos meus. De certa forma sendo aquilo que ele esperava do seu teatro indo para o palco e acabei concluindo alguns pontos fazendo isto.
A peça “Janela para Casmurro” é uma peça que venho montando em várias situações com grupos de pessoas variadas. E o amadurecimento numa hierarquia se deu e se dará com algumas revelações sobre a sua poética.
O objeto são seus personagens, ou uma atriz, ou um ente de cena, e mesmo o histórico do Machado de Assis. Sem se prender na redundância de como ele é conhecido vem a tona do mergulho daquilo que mesmo ele não compreendia no seu fazer. Bastando lembrar as suas diferenças, por exemplo, do Arthur Azevedo no seu feito. Descobri que ele tinha uma grande admiração pelo Anton Tchekhov e a peça “Lições de Botânica” evidenciando isto, nas semelhanças das falas.
Um dos problemas surgidos em minhas montagens foi a apropriação do modo de se falar da época do Machado de Assis. Principalmente por ser muito prolixo e pela formalidade do seu tempo que exigia uma elitização das letras. E minha conclusão foi no sentido de não priorizar a sua época já que ele como um ser culto exigia um rompimento deste tempo bebendo recursos em outras línguas, linguagens e escolas, e por outro lado buscando a identidade brasileira. Dei mais ênfase a dinâmica dos seus personagens e gesto para as verdades desocultada se fizesse presente na sua obra. E como falei, isto vem de uma não compreensão dele, vindo desta argumentação posterior. A “obra” tem que se revelar como verdade sem se sobressair a característica histórica enraizada. Tanto que se fosse perderia o equivalente do valor de pedestal do Machado de Assis no atualizado.
Este texto é o resultado daquilo que me foi revelado na desocultação diante das tantas vezes lapidando personagens e cenas da peça em ensaios e tendo o despertar gratificante na ultima apresentação do “Janela para Casmurro” em dezembro de 2016 no Tuc – Teatro Universitário de Curitiba. Nele senti a "presentificação" do Machado de Assis. Coisa que nunca foi um objetivo chegar a isto voltado a ele. Palavra que se confunde com a desocultação levando a aquilo que talvez os gregos sentiam nas dionisíacas. E algumas coisas aconteceram para chegar nisto durante a montagem. Uma delas é a capacidade dos meus atores. O ator Adriano Gouvêa vinha num ritmo de ensaio que a cada ensaio ele tratava o personagem tentando romper o ente fazendo dele um ser. E como ele fazia isto? Ele tinha a marcação muito consumida que propiciou uma superação e dava vida ao personagem funcionando com uma certa liberdade. Claro que explicar isto acabaria impondo algo fora da mediana. Não é algo que se explica e sim que se sente. E a própria tentativa de entender pode perturbar o feito. Todos já perceberam que as vezes racionalizar pode se perder a ingenuidade. Se é que a palavra “ingenuidade” cabe nesta colocação. E no dia da apresentação uma das minhas regras para o dia foi retirar qualquer excesso do que a gente vinha fazendo nos ensaios, como este que acabei de explicar. Fazer fácil seria a melhor forma de ser holístico e fazer do tempo da peça algo de instantes resolvidos para dar mais segurança na ação. Mas daí aconteceu que aquela vida no modo fácil estava presente em cena. Todas as peças se mexeram com qualidade no palco. E foi ali que vi o Machado de Assis abençoando a aura da obra. O sublime era aquilo, de valores que não se encaixam em nenhuma referência.
Como eu navego nisto eu quero lembrar que este texto tem termos de dificuldades ocultas para uns, que devem passar por cima sem tentar absorver, e num todo ele revela com simplicidade o que foi dito. Se um dia você vier a saber o que estou falando vai ter o mesmo entendimento de quando não sabia a abrangência dele. O conhecimento é como colocar tijolos sobre tijolos para compor um grande edifício, só que daí descobre que com ingenuidade vem e derruba tudo por conseguir chegar também nas alturas, e não deixa de ser um conhecimento comum a tal alternativa sobre a inocência. O melhor é as duas coisas andarem juntas num casamento perfeito na construção do ser.

O texto envolve arte e filosofia e um pouco de estética já que não desvinculo uma da outra. O relatório de um tempo único e sublime se é que se define isto bem nisto.

Carlos Jansson

"Janela para Casmurro" - Festival de Teatro de Curitiba.
Na Secretaria da Cultura/SEEC - Auditório Brasílio Itiberê.
Endereço: Rua Ébano Pereira, 240 - Centro (Próximo ao Largo da Ordem)
Dias e horas: 04 e 05/04 as 20h30.

Pontal do Sul