quarta-feira, 26 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Fechamento de Borderô


Este artigo é uma análise do que seja o Fringe do Festival de Teatro de Curitiba, em épocas de crise é claro. Mas aparenta ser uma constante. E a necessidade de se ter uma visão mais realista de muitos que vem por uma expectativa equivocada e acaba se decepcionando. E isto não é novidade nas edições do festival já que acompanho a décadas. O resumo da minha defesa é no resultado do espetáculo na aventura de vir para Curitiba e o que esperar dela. A primeira coisa que não se deve esperar dela é lucro e sim um respaldo para mostrar seu trabalho. O único prêmio é ter o nome do festival em seu empreendimento e ter passado pelo mito de que Curitiba tem um público exigente. Isto se você tiver público. Já fui o único público em muitos trabalhos. 



Colei o "fechamento de Borderô" para que possam ter a visão realista. E nele podem ver que tem um público. E foi muito bom brincar no palco. Foi um trabalho ótimo realizado pelos meus atores de uma integridade de obra. Mas este artigo não vai falar sobre isto e sim sobre a questão financeira que é a parte frágil da iniciativa:
Como podem ver a parte da administração e os impostos atingiram a base 50% do total de um valor de R$145,25 + R$104,00 da inscrição. Um lucro líquido de R$147,75 para dividir para meu elenco. E considero isto uma fragilidade para a classe artística mais direcionada a cênicas. Não pelo trabalho feito e sim pela expectativa do artista que quer seu trabalho reconhecido tanto no palco como na caixa registradora. São muitos impostos inseridos nisto como as taxas cobradas em edifícios públicos e mais de 50% impostos de tudo que você paga no Brasil, até o teu alimento. Seria uma folga e um fomento a isenção das leis passada para a cultura. Pense em hospedagem e transporte para Curitiba. Com certeza tiveram prejuízo. E se olhar vai ver que tive público razoável num lucro líquido deste. 

As vezes fico com a sensação que fomos consumidos pela superestrutura. Tudo que é feito vai para ela e pouco sobra para a infraestrutura. Este parece um caso nítido de que um projeto Rouanet acaba dando prejuízo para o artista que se desloca para Curitiba. E desconfio que até os grupos da "Mostra" principal acabam contabilizando pouco lucro e dignidade financeira. 

O que aparenta ser uma reclamação neste artigo, não é reclamação e sim o olhar que o artista deve ter sobre a expectativa dele no festival. A própria superestrutura tem orgulho de mostrar o "fim da arte" no teórico a partir da visão econômica. Somos resistente a isto tentando fazer arte e brincar no mundo. O que podemos ter de dignidade é usufruir da infraestrutura que nos dá oportunidade de mostrar trabalhos. Mas nunca pensar que podemos partilhar algo como eles. É necessário ter uma concepção mais realista do que é ser ator no Brasil. E com tendência a piorar nestes novos governos já que os serviços públicos diminuem e os impostos não. 

Alguns podem pensar; que jornalista raivoso! Felizmente foi isto que me levou ao jornalismo. Tento ser claro dentro daquilo que estou pesquisando. Não sou amigo e nem inimigo do Festival e vou ficar muito sentido se um dia o festival deixar de acontecer. E no próximo vou estar com muito mais trabalhos nele. Sou artista que gosto de brincar no mundo e não espero dignidade deles com a boa vontade deles. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Terreno Baldio


Na edição passada ou retrasada o espetáculo Lugar de Ser Inútil foi uma grata surpresa numa pesquisa do poeta Manoel de Barros que se foi estes dias. Deve ter ido como passarinho e deixou uma influência gratificante com a atuação do ator Paulo Chierentini e Rana Moscheta no seu grupo Olho Rasteiro. Uma obra daquela que se sente o gosto de um gourmet num belo restaurante de Paris com todo o preenchimento do peito. Claro que nunca fui para Paris. Mas é daqueles gostos Kantiano esbarrado na sublimação da sutileza descendo como plumas até chegar ao chão. 

Estes dois viraram figuras Curitibanas encontrados pelas esquinas e encruzilhadas. Não sei se são casados, namorados e irmãos. Irmãos não são porque os nomes são diferenciados. Um dia vejo os dois e me pareceu discutindo e no outro concordando em fazer alguma coisa. Um dia ela me passa na frente e atravessa a rua correndo. São nervos pulsantes de obras como o Terreno Baldio entre seus colegas de elenco num lúdico para o mundo das crianças. Um desenvolvimento sério de transformar uma imagem como jogo do corpo e os conflitos de crianças em plena brincadeira. Admiro os dois pela vontade de pesquisa com três espetáculos de rua andarilhando entre uma e outra pela cidade. São grandes atuações e a vontade para fazer os personagem bem definidos. Vale a pena ver os dois determinados e brincando juntos.

Peça Terreno Baldio - Largo da Ordem - Fringe 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - modus operandi


O teatro de rua do Festival de Teatro de Curitiba é uma das práticas que envolve artistas idealistas e com vontade de produzir uma imaginação rica na estética da arte. E nele se encontra verdadeiras preciosidades dentro de uma estrutura que o Festival proporciona. 
Diante de uma iniciativa frustrada de muitos quiosques de empresas (comercial) no Memorial onde se encontra o QG do Festival deveriam consagrar pelo menos uma apresentação destes grupos fora a pauta de apresentações em vários locais de Curitiba. Poderia ser um projeto mais organizado neste sentido. Quando se procura o Festival (público e artistas) se vai a este local e nele deve haver uma energia positiva com artistas manifestando sua arte. Sem quiosques de empresas e sem artistas brilhando no local fica frio, como Curitiba. Eles se apresentam lá só quando chove e aquilo lá vira uma festa. As pessoas se comunicam mais. E se o Festival perde o seu caráter de festa então tudo vira uma merda. Se deparar com a organização do fringe lá é brochante. Embora queiram aparentar simpáticos, nunca tiveram a empatia necessária numa tentativa de hierarquização vaidosa. Não proporcionam a energia daqueles que investem suas potências artísticas no Festival. O resultado informativo é muito pouco pela demanda de público que anda cercando o evento. Cartazes no local em épocas anteriores era ruidoso mas ao mesmo tempo era ilustrativo e de um colorido necessário aos olhos do Festival. No momento a energia é de um funeral. 

O devir do Festival é de um buraco. A cada ano se cava um metro a mais. A orientação deveria de ser uma estabilização de energia que nela brotava flores. A cada edição algo a menos acontece. No jornalismo que se encontrava no 3º andar era um ponto de encontro com entrevistas e acontecimentos. Eles se acabaram. Só tem uma gente ruidosa de procedimentos. O ano passado foi sepultado aquilo que me fazia subir com satisfação a este andar que era o suporte que ofereciam. Eram vários computadores acorrentados a mesa para uso e fui usar um e acabei sendo agredido pela iniciativa. Era um final de tarde quando peguei um convite de uma peça e precisava entrar em contato com uma pessoa convidando para ir junto e o notebook acorrentado não estava sendo usado na mesa. Enquanto o Miguel Arcanjo estava a minha frente com dois deles abertos e usando. Neste ano nem teve mesa. E os espaços de entrevistas se tornaram depósitos.  

Um status de curadoria que vai por uma elitização daninha não alcançando o espírito artístico, de uma filosofia do estético negativa. Ponto chave para o acontecimento do evento. E os indícios são reveladores como o equivoco de colocar um teatro de rua com perna de pau num local sem pé direito o suficiente num terminal de ônibus devido a cobertura e sem área livre. O Mirar e Migrar que lembrou o vulto de obra que foi o Pereira de Londrina em edições passadas. Tremendamente contagiante, prejudicado neste local. Com 26 edições do festival e ainda não conseguiram aprender com o evento. Ou este administrador se agiliza ou ele vai morrer na praia com um grande dano para está classe artística. O resultado financeiro vem de uma viabilidade de inteligência. Que se mantenha a tradição no objetivo das 100 edições. Mas para isto é preciso mudar de negativo para positivo. Muitas das coisas que abortaram não eram tão negativos e faziam o ruído energético do festival. Muitas invencionices de curadoria elitizada sepulta o festival e dá adeus a Dionísio no seu instinto embriagado.

Foto: Carlos Jansson - Teatro de rua do FTC 2017 - Terminal Santa Felicidade 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Guia do Festival


Uma das coisas que vem atrapalhando uma melhor dinâmica no Festival é o tal do "Guia Oficial". Por alguma razão resolveram tirar o melhor orientador de espetáculos dentro do evento que era um roteiro das peças durante os dias no guia. Por exemplo, no dia 28/03 tinha todos os espetáculos especificando os horários e locais. 
Sempre fui um que tendo o Guia nas mãos tentava organizar as peças que iria assistir antes de começar o Festival. Mas chegando os dias no Festival verificava que aquilo não dava certo. Tinha que escolher no dia. Isto para quem quer assistir a maior quantidade e peças possíveis. Que em várias edições chequei a assistir médias de 50 peças a cada edição. Basta ver a quantidade de vídeos que fiz no canal Carlos Jansson do Youtube, e material que tenho guardado das edições em MiniDv não editado, que hoje o formato é superado e em breve o destino é o lixo.
É claro que aqui estou falando destes que fazem turismo cultural e vem para o Festival querendo assistir muitos espetáculos. 

O Guia se tornou algo desnecessário. Tanto que deve ter sobrado mais da metade deles sem que as pessoas procurassem o tal. E em outras edições faltava guia. Constatação óbvia que a estrutura do festival por alguma razão não liga. Basta receber o dinheiro e o resultado é algo insignificante. Próprio daqueles que tem uma cultura já voltada para um resultado da produção cultural em vias econômicas. Mas o sentimento é visto e a parte espiritual do produto sacoleja quando a paranoia é muito intensa.  

Alguns se beneficiaram do processo e é visível quem se deu bem. Produções locais ganharam vultos já que o trabalho de divulgação daqueles que vem de fora não tem a mesma oportunidade para estabelecer um público em suas apresentações. Se olhar para o guia é um monte de peça e ninguém vai ficar olhando o guia todo o tempo todo para achar uma peça que mais lhe caia bem. Tem gente que faz esta seleção para assistir uma quantidade de peças mínimas. Mas aqueles que gostam de estar correndo no festival atrás das peças, furou. E assim a dinâmica do QG no Memorial de pessoas circulando diminuiu. E tudo ficou frio como Curitiba. 


Foto: Paulo Jaques - Peça Janela para Casmurro - Fringe 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Festival de Teatro de Curitiba 2017 - Pequenas Ilhas


O mundo estético vem mudando drasticamente nos olhares cosmopolitanos e de simulacros numa redoma de imagens. As tecnologias vem pulverizando o planeta numa espécie de democratização da coisificidade dos produtos sem o seu valor no entusiasmo da novidade. Nada mais impressiona e tudo se tornou acessível num capitalismo em decadência. O homem e a máquina passam por um dilema. E o virtual é tão acessível que leva a desvalorização de mídias que antes eram grandes estrelas do cotidiano. 

Não se pode esperar nada que uma mudança no fazer artístico. O homem fazendo entra neste globo de coisas. O virtual e a comunicação andam juntas e a atualização do aspecto tecnológico e econômico das pessoas fazem parte deste evento numa espécie de náusea prevalecendo. Muitos meios de comunicação estão sendo derrotados e outros aparecendo. Um exemplo disto é o jornalismo impresso com o ditos blogs como eu. O futuro é nosso na especialidade de dedicação. Até ontem éramos apenas coadjuvantes e hoje não mais. 

Mas o meu papo hoje com a tal introdução é para mostrar algumas coisas que a percepção atenta ronda o tal evento FTC de teatro no Brasil. Por muito tempo em posse da minha credencial de jornalista no Festival andava feito um maluco entre peças e mais peças. Um observador do tipo de fora olhando dentro nos moldes dos primeiros cientista sociais. Um vulto de coisas acontecendo. 
E neste momento decidi por uma ética não sei de onde não pegar minha credencial já que estava com peça de teatro. Até mandei email pedindo mas não fui atrás pegar. E a coisa de dentro, fazendo parte do dentro é de uma solidão tremenda. Não houve uma interação entre os grupos na sua quantidade de centenas. Não vi nenhum grupo na minha peça e com isto não me deu vontade de ver nada de outros grupos. Apenas de alguns amigos parceiros que alguns nem são tão parceiros assim. Mas tenho grupos parceiros e gente que patrocinou e apoiou muito nossa iniciativa. A questão aqui não é pontual e sim geral. 

É claro que o festival se preocupou e teve algumas coisas que foi neste sentido. E pode ter acontecido para alguns de forma diferente. Todo mundo é diferente e vai muito de como estava no mundo. Mas para quem anda atento e buscando coisas no meio de forma intensa talvez o grau de acontecimentos no festival da coisa que estou falando foi menor do que em outras edições. As vezes penso que o festival vai acabar e torcendo para que isto não aconteça. O silêncio do Festival as vezes leva a pensar isto. É claro que isto depende do proponente na sua continuidade financeira que nisto aparenta ser bem ágil. 

FOTO: Paulo Jaques - Janela para Casmurro - Festival de Teatro de Curitiba