Este artigo é uma análise do que seja o Fringe do Festival de Teatro de Curitiba, em épocas de crise é claro. Mas aparenta ser uma constante. E a necessidade de se ter uma visão mais realista de muitos que vem por uma expectativa equivocada e acaba se decepcionando. E isto não é novidade nas edições do festival já que acompanho a décadas. O resumo da minha defesa é no resultado do espetáculo na aventura de vir para Curitiba e o que esperar dela. A primeira coisa que não se deve esperar dela é lucro e sim um respaldo para mostrar seu trabalho. O único prêmio é ter o nome do festival em seu empreendimento e ter passado pelo mito de que Curitiba tem um público exigente. Isto se você tiver público. Já fui o único público em muitos trabalhos.
Colei o "fechamento de Borderô" para que possam ter a visão realista. E nele podem ver que tem um público. E foi muito bom brincar no palco. Foi um trabalho ótimo realizado pelos meus atores de uma integridade de obra. Mas este artigo não vai falar sobre isto e sim sobre a questão financeira que é a parte frágil da iniciativa:
Como podem ver a parte da administração e os impostos atingiram a base 50% do total de um valor de R$145,25 + R$104,00 da inscrição. Um lucro líquido de R$147,75 para dividir para meu elenco. E considero isto uma fragilidade para a classe artística mais direcionada a cênicas. Não pelo trabalho feito e sim pela expectativa do artista que quer seu trabalho reconhecido tanto no palco como na caixa registradora. São muitos impostos inseridos nisto como as taxas cobradas em edifícios públicos e mais de 50% impostos de tudo que você paga no Brasil, até o teu alimento. Seria uma folga e um fomento a isenção das leis passada para a cultura. Pense em hospedagem e transporte para Curitiba. Com certeza tiveram prejuízo. E se olhar vai ver que tive público razoável num lucro líquido deste.
As vezes fico com a sensação que fomos consumidos pela superestrutura. Tudo que é feito vai para ela e pouco sobra para a infraestrutura. Este parece um caso nítido de que um projeto Rouanet acaba dando prejuízo para o artista que se desloca para Curitiba. E desconfio que até os grupos da "Mostra" principal acabam contabilizando pouco lucro e dignidade financeira.
O que aparenta ser uma reclamação neste artigo, não é reclamação e sim o olhar que o artista deve ter sobre a expectativa dele no festival. A própria superestrutura tem orgulho de mostrar o "fim da arte" no teórico a partir da visão econômica. Somos resistente a isto tentando fazer arte e brincar no mundo. O que podemos ter de dignidade é usufruir da infraestrutura que nos dá oportunidade de mostrar trabalhos. Mas nunca pensar que podemos partilhar algo como eles. É necessário ter uma concepção mais realista do que é ser ator no Brasil. E com tendência a piorar nestes novos governos já que os serviços públicos diminuem e os impostos não.
Alguns podem pensar; que jornalista raivoso! Felizmente foi isto que me levou ao jornalismo. Tento ser claro dentro daquilo que estou pesquisando. Não sou amigo e nem inimigo do Festival e vou ficar muito sentido se um dia o festival deixar de acontecer. E no próximo vou estar com muito mais trabalhos nele. Sou artista que gosto de brincar no mundo e não espero dignidade deles com a boa vontade deles.




