sábado, 31 de março de 2018

A Caixa de Pandora - Festival de Teatro de Curitiba


Como sempre indo direto ao assunto. Como podem perceber os ingressos do Festival de Teatro de Curitiba para a Mostra principal não é exatamente o valor cobrando nos grandes centros. Como a peça "Tom na Fazenda" é cobrado o valor numa apresentação no Rio de Janeiro por R$40,00, em Curitiba no Festival de Teatro de Curitiba é cobrado R$70,00. 
Fique indignado porque o Festival é sustentando pela Lei Rouanet com a isenção dos impostos. Quer dizer, eles tiram do teu imposto para trazer peças para a comunidade. E fazem o Curitibano de trouxa. Pense que eles estão ganhando muito da lei Rouanet e ainda cobram mais uma quantia do valor da peça. Então porque serve a Lei? Será que é a brecha para enganar o povo? Isto é legal no liberalismo de Smith. Mas se até a Inglaterra se revoltou então o brasileiro deveria perceber isto. 

Quando se pensa que muitos bancos patrocinam o Festival já de cara se tem a sensação de que coisa legal eles estão fazendo. Mas já pensou que os milhões do Festival roda em contas bancárias nestes bancos? E que o patrocínio é apenas para fazer a média da caixinha cheia? Estes bancos patrocinam a cultura da mesma forma que patrocinam o Festival de Teatro de Curitiba? Há um mistério ai!

Agora o Festival quer acabar com que já tinha de teatro em Curitiba. Resolveu fazer das peças que eles cobram inscrições e um monte de coisa que o artista pequeno sai despenado, fazer um tal de "pague quanto vale". Atrás desta artimanha existe um grande problema. Se a cidade se acostuma a ter espetáculos gratuito, quando um artista for fazer o seu espetáculo fora deste festival com certeza vão querer gratuito. O "pague quanto vale" vale para um ano, no ano seguinte já não vale nada, ninguém vai dar nada. Já devem ter sentido isto. Mas o Festival liga para isto? Não liga. Eles são a superesturura de algo místico ou mítico daqueles poderes que os humanos não tem acesso. E é assim que se comporta as pessoas que trabalham no festival tentando beber desta fonte e ter a potência para construir um rosto no cenário artístico. Mas o poder é só um, o liberal econômico com a vocação elitizada de seu produtor, que aparenta nem ser brasileiro. O Festival é uma grande empresa com um financeiro que só se mantem em épocas de crise porque está dando lucros. E os bancos não estão juntos atoa.

Devem estar pensando as razões de ter aberto a "caixa de pandora". Nada nisto é tão inocente. É legal. Mas parece não ser tão legal para a cultura artística envolvendo artistas numa empreitada de fazer um caminho nesta arte e vem para Curitiba e nunca mais volta. Muitos voltam é claro. Mas aquele artista da cidade pequena veio e nunca mais voltou. Foi depenado pelos altos custos de muitas taxas. 

As razões. Uns três festival atrás no QG do Festival peguei um ingresso para um espetáculo e queria me comunicar algo já que o espetáculo era naquela noite. Tinha uma bancada de notebook no reservado para jornalistas. Na minha frente estava o jornalista Miguel Arcanjo com dois dele aberto e trabalhando com os dois, e atrás dele tinha um. Como jornalista e em outras épocas os computadores eram reservados para jornalista fiz acesso por ele. Daí veio uma jornalista do Festival e faltou só me bater. Se tivesse um policial ali ela mandava me prender. Daí em diante a minha relação com a imprensa do Festival de Teatro de Curitiba ficou prejudicada. O ano passado nem pedi credencial. Este ano fui mal tratado pela assessoria. Então não preciso manter a fidelidade dos tantos anos que cobri o Festival. Agora eu posso falar o que eu vejo já que não tem volta. E costumo enxergar fácil. 

Mas quanto a estes episódios vou continuar falando já que estou no festival, sem credencial, e já tenho algumas situações para relatar.  

R$40 no Rio e R$70 em Curitiba. E o dinheiro dos impostos da Lei Rouanet?


terça-feira, 27 de março de 2018

Festival de Teatro de Curitiba - Um fomento neoliberal da cultura


Sendo direto, não vejo vantagem no fomento a cultura no Festival de Teatro de Curitiba. É visível os milhões ganho pelo produtor e os artistas depenados depois da orgia. Foi assim a uma década com minha primeira peça no Festival e foi assim no ano passado de novo. Embora foram justos comigo após a minha reclamação que o borderô não conferia com a realidade das minhas apresentações. 

O artista sai fragilizado do evento já que ele se inseriu neste viés de produto mercadológico com um lado se dando bem e o outro em desvantagem. Um princípio de superestrutura nos caminhos do mercado liberal e da lei de fomento liberal com os milhões chegando e não sendo redistribuídos com o objetivo de acelerar e avançar a parte artística e cultural do brasileiro. Como um bom judeu da qual se orgulha o produtor faz da sua vocação o sucesso do seu empreendimento. 

A fragilidade do artista se encaixa naquela situação de sempre estar no inicio e tentando se manter dentro da arte com dignidade. Nem sempre volta para o festival nos anos seguintes. Embora a produção local se mantenha nos seus vários motivos e objetivos aproveitando o festival. Mas Curitiba não tem uma estrutura artística acontecendo e isto evidencia um algo danoso. São poucos renomados no seu fazer a não ser aqueles que experimentam os caminhos novelísticos. 

Como o produtor movimenta os seus interesses já com grande vantagem diante da lei proporcionando as suas riquezas acaba sendo um paralelo com dimensão. Todos sabem do valor monetário em jogo e os bancos através da isenção dos impostos fazendo sua divulgação com o nome do Festival. Mas nem tanto a divulgação demonstrando nem tanto interesse assim. Devem ter suas vantagens adicionais por estarem nesta empreitada que é muito justo diante da grandiosidade de se ambientar a uma cultura. Fugindo um pouco da noção objetiva financeira de bancos para um benefício a comunidade. Nada razoável se pensar que isto possa ser possível. 

É louvável a luta quase sem fôlego dos artistas na iniciativa de dar o seu melhor agarrado a esperança de ter um pedacinho de terra lá no céu. Não dá para explicar a vontade artística deste fazer nos rostos de quem faz. É como um punhal sendo atravessado o seu peito no sorriso e no agradecimento. Uma resignação própria de uma civilização submetida a estruturas de liderança.

Atrás da Curitiba bonita com seus bosques há um ar de decepção daqueles que passam por aqui num turismo cultural. O modelo não vem se sustentando e os impostos dos cidadãos sempre continuam altos para um bem público. Algo de republicano ilusório num país tão carente de boas intenções nas ações. 



A Existência do Festival de Teatro de Curitiba


Um evento é algo a ser estudado na sua estrutura. É um bloco de ações dentro de um social se manifestando. A consciência deve pairar dentro dela numa análise da sua possibilidade de ser construtiva ou destrutiva numa comunidade devendo prevalecer sua saúde. São vidas sendo equilibradas nesta corda. A sua existência passa pelo crivo da moral e infelizmente o festival não é uma máquina. Ela é feita por pessoas. 

Nestas décadas é de se esperar uma base tradicional. Os negócios podem ter virado vícios com as sorrateiras e espirituais permanências liberais. Uma armadilha de um castelo de sonhos aliado ao evento teatro solidificado numa obra como imanência de memória. Será que o teatro brasileiro se encontra num caminho bom? O que deve prevalecer não é sua aparência mercadológica tradicional sendo que tudo se transforma. A arte como produto não deve ser dissecado até que não haja vida nenhuma. O evento teatro é muito velho e foge as regras de tradições de uma moral duvidosa. O sentimento que a gente quer é de muitas coisas boas acontecendo. Mas olhando na frente e na sequência pós festival é percebível a ruína das vontades. E o evento é notado na sua integra e sua moral é questionada. Pode ser que seja notada por individualidades participantes e também na sua integridades intelectual no viés da cultura brasileira. A balança anda pesando para um lado a ponto desta balança não suportar uma existência. Não estão lidando com idiotas. As coisas são vistas. 

E se a crítica vem brotando não é construção de uma crítica tendenciosa. A própria estrutura em ruínas vem construindo a crítica. O que é ruim exala o cheiro e angustia a ponto do grito. E isto vai afetar todos os aspectos do evento deste patrocinadores começando a perceber o castelo ruindo. A inteligência humana ainda prevalece sobre a crença medieval. Os tempos mudam e espíritos velhos se desfazem ao vento.  

Será que este teatro anda em bons caminhos? Está geração tem consciência do chão que pisa? Não existe uma chantagem de mercado nesta arte cênicas se solidificando como imanência metafísica no nosso meio? É uma obra de martelo e o dedão exposto no campo aberto de Bourdieu.  

Carlos Jansson
Diretor Teatral e Jornalista

30/03 às 20h00 no Teatro Regina Vogue



segunda-feira, 19 de março de 2018

Armando Babaioff em Tom na Fazenda - Festival de Teatro de Curitiba 2018


O sol vem iluminando este Festival. E as descobertas de valores no meio dele mostra na sua peculiaridade um grande momento numa adversidade política brasileira. Cada evento se manifesta diante do momento que se vive. Só que é possível diante de tudo que contrarie se tenha um auge de brilho do nada. Quer dizer, do nada também não. O Festival vem sendo feito por décadas sempre na busca do seu melhor. 
A revistas guia do festival veio com uma capa puxando para o preto. Totalmente diferente de outros anos com a alegria de uma festa. Não é de festa hoje. Mas é de brilho. O melhor retrato destes anos de retrocesso da democracia. Foram muito felizes na escolha daquilo que é o sentimento atual. 

Um jornalista pediu um feedback dos espetáculos deste ano. Não chegou o momento de falar deles e sim de um em especial que acabei de descobrir. O "Tom da Fazenda" tem uma dezena de prêmios e aclamado pela crítica. Ganhou 21 prêmios. E a felicidade é a descoberta da peça ser do Armando Babaioff. Em breve em novo trabalho numa novela sendo gravada, segundo a Gshow Globo. 

O Armando Babaioff foi elenco de uma leitura num texto meu que se chama "Lágrimas de Goethe" e minha querida atriz Marta Paret e Beth Monteiro. E dirigido pelo colega Luiz Furlanetto. É uma peça com cara de acontecimento. Foi motivo de uma disputa na classe do Rio de Janeiro entre alguns nomes de destaque no meio. Alguns nomes foram sugestão para a montagem como o Humberto Martins e Maurício Mattar. 

O nome "Lágrimas de Goethe" veio de uma leitura que fiz do "Fausto" de Goethe após ter concluído o texto, com o infanticídio como pano de fundo no "Fausto" e no meu o eixo principal. Eram épocas que se tinha muitas crianças recém nascidas no Brasil abandonadas.  

É muito bom falar de alguém com quem partilhou de um trabalho em comum e a aposta do sucesso e de grandes trabalhos. Que venham muitos prêmios ainda. E que seu sucesso nas novelas através da generosidade de apostar em novatos seja recompensado e que acaba sendo porque as pessoas percebem um espírito iluminado. 
Não desmerecendo outros colegas como o ator Carlos Machado com sua generosidade por ter me indicado trabalhos no Rio de Janeiro, e uma semana depois do Festival vai estar ministrando um Workshop de interpretação para Tv em Curitiba. 

Uma noite completa e de um texto realizado na plenitude da graça diante da descoberta da peça "Tom na Fazenda" feito pelo Babaioff. 

Tom na Fazenda - Mostra 2018
R$70,00 e R$35,00 
07/04 às 21h00
08/04 às 19h00
Teatro da Reitoria. 



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