terça-feira, 27 de março de 2018

Festival de Teatro de Curitiba - Um fomento neoliberal da cultura


Sendo direto, não vejo vantagem no fomento a cultura no Festival de Teatro de Curitiba. É visível os milhões ganho pelo produtor e os artistas depenados depois da orgia. Foi assim a uma década com minha primeira peça no Festival e foi assim no ano passado de novo. Embora foram justos comigo após a minha reclamação que o borderô não conferia com a realidade das minhas apresentações. 

O artista sai fragilizado do evento já que ele se inseriu neste viés de produto mercadológico com um lado se dando bem e o outro em desvantagem. Um princípio de superestrutura nos caminhos do mercado liberal e da lei de fomento liberal com os milhões chegando e não sendo redistribuídos com o objetivo de acelerar e avançar a parte artística e cultural do brasileiro. Como um bom judeu da qual se orgulha o produtor faz da sua vocação o sucesso do seu empreendimento. 

A fragilidade do artista se encaixa naquela situação de sempre estar no inicio e tentando se manter dentro da arte com dignidade. Nem sempre volta para o festival nos anos seguintes. Embora a produção local se mantenha nos seus vários motivos e objetivos aproveitando o festival. Mas Curitiba não tem uma estrutura artística acontecendo e isto evidencia um algo danoso. São poucos renomados no seu fazer a não ser aqueles que experimentam os caminhos novelísticos. 

Como o produtor movimenta os seus interesses já com grande vantagem diante da lei proporcionando as suas riquezas acaba sendo um paralelo com dimensão. Todos sabem do valor monetário em jogo e os bancos através da isenção dos impostos fazendo sua divulgação com o nome do Festival. Mas nem tanto a divulgação demonstrando nem tanto interesse assim. Devem ter suas vantagens adicionais por estarem nesta empreitada que é muito justo diante da grandiosidade de se ambientar a uma cultura. Fugindo um pouco da noção objetiva financeira de bancos para um benefício a comunidade. Nada razoável se pensar que isto possa ser possível. 

É louvável a luta quase sem fôlego dos artistas na iniciativa de dar o seu melhor agarrado a esperança de ter um pedacinho de terra lá no céu. Não dá para explicar a vontade artística deste fazer nos rostos de quem faz. É como um punhal sendo atravessado o seu peito no sorriso e no agradecimento. Uma resignação própria de uma civilização submetida a estruturas de liderança.

Atrás da Curitiba bonita com seus bosques há um ar de decepção daqueles que passam por aqui num turismo cultural. O modelo não vem se sustentando e os impostos dos cidadãos sempre continuam altos para um bem público. Algo de republicano ilusório num país tão carente de boas intenções nas ações. 



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