Para se fazer e conhecer o Machado de Assis se deve penetrar no seu mundo histórico dos tempos do Rio de Janeiro e as influências que nela fazia a cidade cosmopolita com vontade de ser respeitada pelo mundo como uma Atenas, tupiniquim. Nunca foi algo tão grandioso assim quando se pensa na cultura de um povo que precisa de referência. Se fala de beleza mas se pensa na vaidade e riqueza destas artificiais que levam ao ressentimento humano e a depressão niilista. E nisto o Machado de Assis inaugura uma atmosfera dostoivsquiana no Brasil.
Eram épocas de influência francesa na estética cultural com suas cortesãs no estilo dos cartazes de Toulouse-Lautrec de mulheres lindas desfilando feminilidade estonteante e desejadas e invejadas por outras mulheres. De vida fácil e mesmo assim idealizadas. Uma maneira de viver com arte superando a moral do sentido padrão de pudor. Eram as putas desfilando em passarelas toda iluminada desafiando os defeitos nas imposições com a coragem de ser feliz no instante. Um desafio estabelecido quando se constata que nossos artistas globais se relacionam com muita facilidade não se prendendo a critérios da sociedade. Neste vai e vem caótico das cidades contemporâneas é normal as separações e os novos encontros nesta ansiedade de viver.
Os "olhos de ressaca" da Capitu se encaixa no novo realismo por perceber os novos tempos das incertezas e da liberdade feminina. Ela agora tem opção de escolhas subjetivas, lembrando que a época era o pai que escolhia o marido para a filha. E a coragem dela é invejada por andar a frente do seu tempo. Atirando pedras nela quando queriam atirar flores por perceber e investir na sua natureza feminina. Tanto que uma global hoje é desejada e tudo que ela usa é copiado. Embora nas peças que estou fazendo as Capitus tenham uma conotação mais de safadas mesmo. Mas pretendo dar este ar da graça para elas valorizando a sua beleza natural. E quem assiste sempre aposta nelas porque querem a vitória delas. O pecado é o diferente necessário senão não teria religião e divas da música e novelas. Ser mãe de família com todo dia o mesmo arrozinho virou um saco. Não tem arte de viver e sem purpurina. Um ciclo de vida muito previsível num mundo venatório.
